Com a criação do Nafta, em 1992 ,
a economia mexicana apresentou maior crescimento graças aos investimentos estrangeiros e ao aumento das exportações para os Estados Unidos e Canadá.
Em 2016, enquanto cerca de 33% do valor do PIB mexicano foi formado
pela atividade industrial — indústrias de transformação e extrativa mineral, em que a exploração de petróleo participou na formação desse PIB —,
a agropecuária participou com 3,6% e os serviços participaram com 63,4%.
Na Argentina, a atividade industrial respondeu por 28%, a agropecuária
participou com 6% e os serviços com 66%. No Brasil os valores foram respectivamente 23%, 5,3% e 71,7%.
México: agropecuária
O território mexicano é pouco favorável à agropecuária. A presença
de montanhas e de climas áridos e semiáridos reduz a disponibilidade de
áreas cultiváveis. Ainda assim, esse setor emprega cerca de 14% da População Economicamente Ativa (PEA) do país (figura abaixo).
Cerca de 39% do território é ocupado pela pecuária, voltada principalmente para a criação de gado bovino e praticada no centro-norte do país.
Os produtos com maior área de cultivo e voltados para o abastecimento do mercado externo são: algodão, sisal, café e cana-de-açúcar.
Para o mercado interno são cultivados: milho,
batata, trigo, arroz, soja etc. Após a entrada em vigor do Nafta, a produção de milho perdeu espaço
diante da concorrência estadunidense. Mas, mesmo assim, por se tratar de alimento tradicional
desde o tempo dos astecas e maias, o México é o
quinto produtor mundial de milho.
Como em toda a América Latina, com exceção
de Cuba, há no México grande concentração da
propriedade rural: 1% das propriedades concentra 56% da área de terras — na Argentina, que
veremos mais adiante, 2% concentram cerca de
50%; no Brasil, 0,9% concentra 44,4%
As transnacionais de alimentos no México
Grandes empresas transnacionais de alimentos têm se estabelecido no
México. Compram as melhores terras e orientam a produção para atender
ao mercado externo, principalmente os Estados Unidos. Controlam 90% da
produção mexicana de algodão, aspargos, morangos, cebolas, hortaliças e
outros vegetais.
Embora as grandes empresas também cultivem esses produtos nos
Estados Unidos, preferem o México, onde podem obter lucros maiores,
uma vez que a terra e a mão de obra são mais baratas, além da proximidade do mercado consumidor estadunidense.
Argentina: agropecuária
A agropecuária ocupa posição importante na economia argentina.
Cerca de 60% do valor total de suas exportações é constituído por produtos agropecuários: soja (3o
produtor mundial, depois dos Estados Unidos e do Brasil); produtos derivados da soja (maior exportador mundial);
milho (7o
produtor mundial e 3o
exportador); trigo (5o
exportador mundial); cana-de-açúcar; girassol (óleo comestível); carne; além de outros.
Circuitos da carne e da soja nos Pampas
argentinos e no Brasil
A expressão “circuito” é entendida como rota ou caminho percorrido para se atingir certo lugar. Nos casos da soja e da carne, refere-se,
assim, ao caminho percorrido desde a área de produção até o mercado
consumidor interno e aos portos de exportação, para chegar ao mercado consumidor externo.
Há diferenças marcantes entre os circuitos da soja e da carne na Argentina e no Brasil. A vantagem é argentina.
Na Argentina
As maiores concentrações de plantio de soja e de criação de gado
bovino e ovino na Argentina se encontram na região dos Pampas). Nela concentra-se cerca de 66% da população da Argentina, como vimos anteriormente, o que representa a maior parte de seu
mercado consumidor interno.
O Porto de Rosário permite o atracamento de navios graneleiros de
grande porte para o transporte de soja (figura 24) e também de navios
frigoríficos para o transporte de carne. Assim, desse porto partem navios
até portos marítimos situados em outros países, como a China.
Grande parte das propriedades agropecuárias argentinas se localiza a cerca de 300 km de distância do Porto de Rosário que, por sua vez,
está aproximadamente a essa mesma distância de Buenos Aires.
Entretanto, a infraestrutura de transporte na Argentina — rodoviária,
ferroviária e hidroviária —, assim como no Brasil, apresenta problemas ou gargalos para o escoamento de grãos — soja, milho, trigo etc.
Há congestionamentos de caminhões nas estradas e nos portos para
descarregar os grãos e demora para transferi-los para os navios durante o pico da safra. Mas, mesmo assim, os produtores rurais argentinos
levam vantagem em relação aos do Brasil, principalmente aos da Região
Centro-Oeste.
Essa vantagem ocorre porque na Argentina os produtores rurais não
estão distantes do mercado interno de consumo, representado pelas indústrias e pelos próprios criadores de gado, que usam o farelo de soja
como ração animal, e também por não estarem distantes dos portos de
exportação. Além disso, o tempo de espera causado pelos congestionamentos de navios graneleiros e frigoríficos nos portos da Argentina é
menor do que nos portos brasileiros.
Esses fatores conferem vantagens competitivas e mais ganhos aos
produtores argentinos.
No Brasil: a soja e a carne na Região Centro-Oeste
O Brasil foi o 2o
maior produtor de soja no mundo em 2017, atrás
apenas dos Estados Unidos. A produção de soja no mundo em 2017 foi
de 337 milhões de toneladas, sendo que os Estados Unidos produziram 120 milhões de toneladas desse total e o Brasil, 116,996 milhões
de toneladas. O Mato Grosso foi o maior estado produtor de soja brasileiro e o Paraná, o segundo. Só o Mato Grosso produziu, em 2017,
32 milhões de toneladas de soja.
Também em 2017, o Brasil possuía o maior rebanho de gado bovino
e foi o maior exportador dessa carne.
A Região Centro-Oeste é a que responde pela maior produção de soja
e é a que possui maior rebanho de gado bovino. Veja as figuras abaixo. (figuras 25, 26 e 27).